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Série Congadas - EP. 01 I Terno de São Benedito de Poço Fundo-MG

Atualizado: 22 de ago. de 2025

Contramestre Luiz Antônio Delmiro. Foto: Chloe Gabriel
Contramestre Luiz Antônio Delmiro. Foto: Chloe Gabriel

O Terno de São Benedito, da cidade de Poço Fundo (MG), foi fundado em 1906 e já tem 119 anos de tradição. Hoje, um dos guardiões dessa história é o Contramestre Luiz Antônio Delmiro, de 73 anos.

Segundo ele, tudo começou com seu bisavô, José Laudino Alves, que saiu de São João del-Rei como tropeiro e se estabeleceu em Poço Fundo junto de seu amigo, o senhor Bié. Desde então, a tradição do Congado passou de geração em geração dentro da família.

“Eu nasci em maio de 1952, e em junho já tava fardado na procissão”, conta seu Luiz com emoção. Ele diz que, na tradição da família, o congado começa ainda no ventre: “A criança já escuta o som da caixa e já nasce dançando”.

Hoje, ele já vê seus bisnetos com apenas 2 aninhos dançando no Congo. “O Congado é fé, é tradição, é missão”, afirma, com firmeza e carinho. A devoção principal é para São Benedito, Santa Efigênia e Nossa Senhora do Rosário, mas o terno também participa de festas dedicadas a outros santos como São João e Santo Antônio.

A farda do terno é predominantemente branca. A calça, os calçados e a saia das meninas seguem um padrão, mas a blusa muda de acordo com a orientação espiritual: “A gente pede a São Benedito pra definir a cor da farda”.

Na família dele, há católicos, umbandistas, espíritas, e todos se reúnem para a missão do Congado: “É a fé que nos une”. Ele conta que, no começo da festa, sempre chora, lembrando dos que vieram antes.

Os instrumentos do terno incluem banjo, cavaquinho, viola, reco-reco, tamborim, chacoalho, surdo, contra-surdo — e ele mesmo conserta os instrumentos quando necessário. Por muitos anos, tirou dinheiro do próprio bolso para manter o terno vivo, mas hoje há apoio financeiro da Prefeitura de Poço Fundo.

Sobre o reconhecimento dos saberes do Rosário e do Congado como Patrimônio Imaterial Cultural do Brasil, ele diz: “É uma honra. Valoriza os que vieram antes de mim e ajuda os de agora a conseguir manter viva essa tradição”.

Um detalhe importante: a bandeira principal do terno, com a imagem de São Benedito, segue uma regra rígida desde 1906: quem carrega essa bandeira não dança. Só a leva à frente de todos com respeito e devoção. As outras integrantes podem levar estandartes e bandeiras secundárias e também dançar, mas a de São Benedito é carregada em silêncio e fé.



 
 
 

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